Publicado em 14/10/2009, 7:42 am
O Grêmio Recrativo Escola de Samba Acadêmicos do Grande Rio é uma escola de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro, sendo sediada na rua Almirante Barroso em Duque de Caxias.
A escola é muito criticada por levar excesso de artistas para a avenida e pelos excelentes resultados na comissão julgadora, graças ao investimento do patrono Jayder Soares e ao Sr. Milton Abreu do Nascimento, mais conhecido como Milton Perácio, que foi o primeiro presidente da escola.
Depois de Deborah Secco, Suzana Vieira e Grazi Massafera, a atual rainha de bateria da escola é a atriz Paola Oliveira.
HistóriaNos anos 50, a cidade de Duque de Caxias teve uma participação efetiva no carnaval carioca, com a escola de samba Cartolinhas de Caxias. Esta agremiação participou do grupo de elite das escolas cariocas três vezes (1951, 1958 e 1959), participando posteriormente, com freqüência, dos grupos intermediários e sendo respeitada pelo mundo do samba. O último desfile da Cartolinhas foi em 1971, quando com o intuito de fundar uma grande agremiação que representasse dignamente o município, os dirigentes das escolas União do Centenário, Cartolinhas de Caxias, Capricho do Centenário e Unidos da Vila São Luis unem-se e de sua fusão é fundada a GRES Grande Rio em 10/05/1971[1].
Escolas antecessoras
Finalmente, em 1988, a Grande Rio fundiu-se à Acadêmicos de Caxias, dando origem à atual Acadêmicos do Grande Rio. Na sua estréia, em 1989, a escola já subiu de grupo, com o enredo “O mito sagrado de ifé” passando para o Grupo de Acesso A.
1990:Em 1990, com o enredo sobre a cidade do Rio de Janeiro, a escola novamente obteve a 2ª posição, subiu para o Grupo Especial. A Grande Rio impressionou pelo extremo luxo das fantasias e pelo gigantismo das alegorias. O samba contagiou o público. O enredo contava a história da cidade do Rio de Janeiro, com suas belezas naturais e o estilo de vida do carioca. A comissão de frente, formada por homens, estava trajada com elegância, com figurinos que faziam referência aos escudos e brasões portugueses. O luxuoso abre-alas, seguido por 4 tripés com representações da cruz de malta, antecedeu as alas alusivas aos índios tamoios e ao fundador Estácio de Sá, que também serviu de inspiração para o figurino da bateria.
1991:Em 1991, a Grande Rio fez sua estréia no grupo especial com pinta de escola grande, com carros e fantasias luxuosas. O enredo falava da criação da vida, dos conflitos humanos e terminava com uma mensagem de paz e otimismo. O lema da escola era: “rejeitamos o caos, temos livre arbítrio e queremos brindar a vida”. O antes, era o paraíso, com destaque para o abre-alas, que representava o jardim do Éden, com destaques femininos circundadas por serpentes, antecedido de um feto dentro do globo terrestre. O durante era a evolução e a destruição, cujo destaque foi Sonia Lima no carro do gafanhoto, que representava a máquina da destruição. O depois foi a busca de um novo caminho, cujo destaque foi o carro da queda do muro de Berlim. Apesar do belo visual, a escola teve sérios problemas em evolução, com visíveis buracos entre as alas e a aceleração dos componentes. O momento mais grave foi observado a partir da indecisão da bateria em entrar ou não no boxe. Preocupados com o tempo, os dirigentes optaram por não recuarem a bateria e o resultado foi um enorme buraco, que prejudicou, além de todo o conjunto da escola, a apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira: Élcio PV e Dóris. Assim, a escola chegou na 16ª colocação, e voltou para o Grupo de Acesso A, apesar de contar com nomes como o intérprete Dominguinhos do Estácio e o diretor de bateria Mestre Paulão (consagrado na União da Ilha).
1992:Em 1992, reconquistou o direito de competir no desfile principal, sendo a campeã do Acesso, com o enredo Águas Claras para um Rei Negro. A escola se destacou pelo belo samba, cujo refrão era muito parecido com o samba campeão da Mocidade em 1991. O enredo era baseado na mitologia afro-brasileira. A comissão de frente era formada por 13 homens vestidos de Oxalá. O abre-alas trazia o nome da escola em néon e era iluminado por mais de 1900 lâmpadas. Junto ao carro, a réplica da Refinaria de Caxias, com efeito especial, soltando gelo seco na avenida. Muitas alas representavam orixás, como a da divindade Oxum, com negras de seios nus. O carro das oferendas tinha dimensões maiores que o da pista de desfile e teve de ser desmembrado. A escola trouxe duas alas de baianas, numa estavam vestidas de branco, com bandeiras nas saias, como as de terreiros nas festas de candomblé. O último carro, o da libertação, trouxe a “divina pomba da paz”, em cima do círculo azul estrelado que está na bandeira do Brasil. A escola, apesar da beleza de suas alegorias, evoluiu muito lentamente,mas sobrou na avenida.
1993:Na volta ao Especial, em 1993, a Grande Rio parecia que estava “No Mundo da Lua”, enredo que abriu a etapa final do Desfile das Escolas do Grupo Especial, desenvolvido por Alexandre Louzada, que gastou US$ 500 mil para desenvolver o tema. Com um bom samba enredo que resultou da criticada fusão de três outros sambas, assinado pelo total de dez autores, os 5 mil componentes da escola misturaram astrologia e lendas nativas para cantar, ao desenrolar de 52 alas, as fábulas da lua. O abre-alas representou uma nave espacial, com estilizações da coroa, símbolo da escola. O primeiro setor abordou a relação dos povos antigos (chineses, egípcios e indianos) com a lua. Seguiram os carros alusivos às marés, à lua de mel e à conquista da lua. Na voz de Nêgo, o samba tornou-se um hino para os caxienses, que o cantam sempre no “esquenta” da escola.
1994:Em 1994, a Grande Rio contou a história da umbanda pela visão de Zé Pelintra, que veio representado na comissão de frente. A escola mostrou a África Cultural e a África Negra, trazendo belos carros e alegorias, além de artistas e personalidades que encarnaram as diversas entidades e santos. A escola obteve o estandarte de ouro de melhor enredo, mas enfrentou problemas com as autoridades eclesiásticas, tendo inclusive o barracão vistoriado, devido a uma denúncia de que a escola sairia com imagens sacras. Na Sapucaí, a escola retirou os terços das baianas, antes de o oficial da 20ª Vara do Rio cumprisse o mandado de apreensão, por ser um símbolo católico. O abre-alas trouxe a coroa da escola e as alas que se seguiram mostraram os povos egípcios, árabes e berberes, que formaram a cultura negra. A escola mostrou os delírios de Ogum, preso no porão de um navio negreiro, através de monstros marinhos até ser coroado em terras brasileiras. Yemanjá, Cosme e Damião, Exu (tranca rua) e Pomba gira (Maria Padilha) foram lembrados na avenida. A escola encerrou o desfile com o carro Rei da Noite, que simbolizou o homenageado à associação satânica.
1995:Em 1995, a Grande Rio transformou o ciclo da borracha na Amazônia em conto de fadas, no qual o rei Amazonas, responsável pelo ecossistema mundial de responsabilidade do Imperador Brasil, vivia tranquilamente com sua filha Manaus, numa terra rica em borracha, até a vinda da Rainha Inglaterra, que levou, sem que ninguém soubesse, setenta mil espécies da planta que brotava o líquido que valia tanto ou mais que ouro, para serem plantadas em seus terrenos na Malásia. Tal atitude caiu como veneno para a Princesa Manaus, fazendo-a adormecer num sono profundo durante quase dois séculos, quando o Príncipe da Tecnologia a beijou, acordando-a para seu futuro. A escola, que até então trazia um homem como rei da bateria, trouxe Andréa Guerra, a desinibida do Grajaú, como rainha. O desfile, no entanto, mostrou-se confuso e não agradou. Por muito pouco, a escola não foi rebaixada.
1996:Em 1996, a Grande Rio teve o desfile prejudicado pelo atraso do barracão. A escola só passou a ter barracão 36 dias antes do desfile, e boa parte dos 10 carros alegóricos foram retocados na concentração. O enredo era muito complexo e a escola toda se mobilizou para botar o carnaval na avenida. A carnavalesca Lícia Lacerda, demitida da Tradição, ajudou na reta final Roberto Szaniecki a colocar o carnaval da escola na avenida. A comissão de frente representava os mensageiros da coroa espanhola que comunicava o domínio de Espanha sobre Portugal, no período de 1580 a 1640, em virtude do desaparecimento do Rei português Sebastião, sem descendência. O Brasil, nestes 60 anos, foi colônia espanhola. As botas dos integrantes da comissão de frente só chegaram na hora do desfile começar. Um dos tripés do abre-alas, Genealogia Espanhola, quebrou na concentração, impedindo a passagem da Escola. Diretores tiveram que virar um tripé na beira do Mangue e jogar o outro contra o muro do Juizado de Menores, abrindo caminho para as alas. A receptividade de público foi excelente e o samba virou antológico para a escola, cujo refrão é conduzido até hoje (“Imponho / Sou Grande Rio…”). O último carro trouxe a coroação de D. João IV, que culminou com a restauração da monarquia portuguesa.
1997:Em 1997, a Grande Rio apresentou um lindo samba sobre a construção dos 300 quilômetros da Ferrovia Madeira-Mamoré, em Rondônia. O abre-alas era uma locomotiva “transparente”, uma vez que o projeto nunca foi concluído apesar de ter custado muitas vidas, que apitava na avenida. À frente da escola, a policial e modelo Marinara Costa desfilava numa cadeira de rodas. Também muito aplaudida, a modelo Monique Evans fazia coreografias à frente da bateria da Grande Rio. Com muito luxo e criatividade nas alegorias e fantasias, a escola mostrou o delírio dos trabalhadores que morreram de febre amarela e malária na construção da ferrovia. No carro “Outros Perigos” uma serpente sobre trilhos de neon causou impacto. Mestre Maurício, um dos diretores da bateria da Grande Rio, bastante emocionado, sentindo-se mal no início do desfile e veio a falecer. A escola encerrou o desfile de forma dramática. Seu último folião atravessou a área que delimita o fim do Sambódromo a menos de 30 segundos do tempo permitido. Por pouco, a Grande Rio não estourou o seu tempo, o que acarretaria perda de pontos.
1998:Em 1998, a Grande Rio veio com um samba muito popular e marcou presença principalmente pelo seu tema, um dos mais politizados deste ano: o centenário de nascimento de Luiz Carlos Prestes. A trajetória do líder comunista foi contada em detalhes: representações de tanques, helicópteros e soldados do Exército soviéticos. A escola fez uma viagem no tempo para lembrar a Coluna Prestes, sua militância no PCB, o Partidão, e o poema que foi oferecido a Prestes por Pablo Neruda. Esculpida em diferentes tons de verde, o abre-alas parecia um monumento de pedra. Logo a seguir, uma ala coreografada, com os componentes vestindo uniformes militares camuflados, colecionou aplausos ao longo da pista. No abre-alas muitos artistas representavam guerrilheiros do exército. A diretoria representou militares em uniformes verde-oliva. A bateria veio de soldados estilizados em branco e dourado e foi um destaque especial, com marcação corretíssima e paradinhas perfeitas: sua apresentação ajudou a empolgar a platéia e a fazer crescer o samba-enredo. A ala dos cossacos russos, de passo marcado, vinha atrás do carro da arquitetura dos czares – e que tinha como efeito especial o lançamento de espuma que simulava a neve. Funcionou bem, assim como os fogos reluzentes do sexto carro – A China de Mao. No sétimo carro, Utopia, as destaques femininas pareciam de fato voar graças a um prolongamento da fantasia que encobria os pedestais onde as moças se apoiavam. A ligação entre a história de Prestes e a Tropicália não foi bem explicada no desfile. De repente, depois da fase militar do enredo e da passagem de Prestes pelo exílio russo, Max encaixou um carro e alas multicoloridas simbolizando o tropicalismo. Daí surgiu o branco, sereno, em alas que representavam a paz. A escola recebeu muitas críticas ao colocar a líder dos sem-terra, Débora Rodrigues, como destaque de um carro alegórico,causando a insatisfação da família do ex-líder comunista. Com esse desfile, a Grande Rio começou a despontar como escola popular e dos artistas globais.
1999:Em 1999, Assis Chateaubrand, o grande nome da mídia no Brasil no meio do século, foi o enredo da escola Grande Rio, que mostrou um carnaval rico e competitivo. Luciana Gimenez desfilou grávida em cima do carro alegórico das festas juninas, mostrando a barriga e o corpo escultural. Este ano sua participação foi uma das mais comentadas nos meios de comunicação devido aos boatos de que seu filho seria do roqueiro Mick Jagger. No carro do maracatu, Zezé Mota veio de rainha. A escola encerrou o desfile com o carro “a era cibernética”.
2000:Em 2000, apesar da empolgação e da beleza das fantasias, a Grande Rio teve problemas para mostrar o espírito festivo presente entre os indígenas que contagiou os portugueses aqui chegados, reforçada com a chegada dos negros, fazendo alusão contra a falta de liberdade e as proibições dos colonizadores a suas manifestações. Na concentração, o iluminador Wellington sofreu traumatismo craniano ao ser atingido por uma estrutura de ferro que despencou de um dos carros alegóricos. Logo no início do desfile, o juizado de menores queria impedir a entrada do abre-alas, por trazer duas crianças como destaque a uma altura de três metros, acima do permitido pela Liga. Foi preciso reduzir o tamanho do carro, que tinha três andares. O incidente atrasou a entrada da escola na avenida e atrapalhou parte da evolução dos componentes. E por último, o assédio da imprensa ao ator Thiago Lacerda prejudicou o desfile da escola.
2001:Em 2001, mais uma vez a escola trouxe um bom samba (dessa vez com Quinho ao microfone), e a estrela Joãosinho Trinta no comando para contar a história de José Datrino, um ex-empresário de Niterói, que se tornou personagem popular no Rio de Janeiro, quando enlouqueceu em 1961, ao saber do incêndio em um circo em sua cidade, com mais de 500 mortos. Designado como Profeta Gentileza, abandonou o mundo do dinheiro para pregar a gentileza pelas ruas do Rio, tornando-se, assim “o profeta”, que deixava mensagens de paz e esperança em pilares da Avenida Brasil. A Secretaria de Segurança Pública proibiu a escola de utilizar fardas da Polícia Militar nos esquetes sobre a violência que seriam encenados por 150 atores do grupo Tá na Rua. O grupo distribuiu flores aos efeitos especiais nos carros alegóricos falando de paz e do novo milênio. A escola abriu o desfile com um pede passagem que desfilou entre a comissão de frente e o carro abre-alas, que representava a era espacial, que representava o terceiro milênio. A tragédia do circo de Niterói foi representada no carro Roma Pagã. A alegoria bateu uma vez num poste antes da entrada na avenida e outras duas na mureta que separa a avenida das arquibancadas e teve problemas durante o desfile. A escola fechou o desfile, já na terça-feira de manhã, com um homem voador importado dos Estados Unidos. O dublê americano Eric Scott voou sobre a Sapucaí, com um foguete portátil de US$ 120 mil nas costas. A Grande Rio perdeu três pontos porque um dos carros, Circo de Roma, quebrou, teve que ser dividido em dois e, assim, a escola passou com um número de carros (9) maior que o permitido pelo regulamento (8).
2002:Em 2002, o sucesso do ano anterior foi tanto que o norte-americano Eric Scott voltou a sobrevoar a Grande Rio como papagaio voador. O enredo começou em 1612, quando a esquadra da França preparava a invasão do Maranhão, desembarcando em São Luís. Os franceses eram louros, de olhos azuis, emplumados e falavam uma língua que os índios não conheciam. Por isso, foram apelidados de papagaios amarelos. A escola trouxe chuva de papel laminado picado no abre-alas e um instrumento típico da festa do Bumba meu boi do Maranhão.
2003:Em 2003, a grande surpresa do carnaval foi o terceiro lugar obtido pela Grande Rio, que pela primeira vez voltou no sábado das campeãs. A escola versou sobre a história da mineração no Brasil, com o patrocínio da Companhia do Vale do Rio Doce. A escola estava muito luxuosa, com fantasias bem elaboradas. A comissão de frente foi o ponto alto da apresentação da escola. Os 14 integrantes, acrobatas e bailarinos, se apresentaram com os corpos pintados nas cores cobre, prata, preto e dourado – representando os elementos da terra. Eles seguiram pela Passarela puxando e escalando esculturas brancas de 6 metros. No Abre-alas, a figura de Atlas carregando a Terra nas costas, precedido por enormes estátuas representando o rei Kronos. A alegoria que mostrava um homem sendo executado na cadeira elétrica causou muita polêmica. A escola teve de correr para não estourar os 80 minutos, prejudicando o quesito harmonia.
2004:No carnaval de 2004, por decisão judicial, a escola teve dois carros censurados, que passaram na avenida cobertos. A escola abriu o desfile tendo como inspiração a obra O Jardim das Delícias, do pintor renascentista holandês Jeronimus Bosch. Em seguida, os carros da escola apresentaram imagens do paraíso, com a representação do que teria sido o primeiro ato sexual. A Grande Rio trouxe ainda alas em homenagem ao Movimento GLS, um carro falando dos prazeres nas casas noturnas e fantasias que representavam doenças sexualmente transmissíveis, principalmente a Aids. O preservativo foi destaque e esteve presente na fantasia de um dos casais de mestre-sala e porta-bandeira. A ala das baianas chamou a atenção e foi uma forma de driblar a censura ao Kama Sutra. As baianas exibiram imagens do livro reproduzidas em placas aplicadas nas saias dos vestidos. Depois de fazer uma retrospectiva histórica do uso da camisinha desde a Idade Média, a Grande Rio encerrou seu desfile fazendo uma homenagem a Chacrinha, que sempre divulgou o uso do preservativo. João 30 acabou demitido pela agremiação momentos antes da apuração do resultado.
2005:Em 2005, volta a fazer um bom desfile, com o enredo “Alimentar o corpo e alma faz bem”. Contando com o patrocínio da Nestlé, traz carros bem construídos, um desfile alegre, grande desempenho da bateria e conquista, assim como em 2003, o terceiro lugar. A Grande Rio misturou realidade e ficção. A escola levou para a avenida uma legião de atores da novela Senhora do Destino, que gravou cenas do desfile para recriá-lo como sendo da fictícia escola Unidos de Vila São Miguel. O enredo sobre alimentação, patrocinado pela Nestlé, rendeu um desfile tecnicamente correto, mas sem empolgação. O abre-alas representou Gaia, a mãe terra. O enredo mostrou a industrialização do alimento; a diversidade culinária das regiões do país; as festas e as comemorações que têm na comida um dos seus principais elementos, como Natal, Ano Novo, Dia das Mães, casamentos, Páscoa e festa junina. A parte mais subjetiva do enredo mostrou a fome de espiritualidade e de fé, as vertentes que criaram religiões como o cristianismo e os cultos africanos. Na seqüência, a escola apresentou a fome de cultura, com apresentação dos diversos tipos de arte. O atraso nos desfiles provocado pela Portela trouxe prejuízos à Grande Rio. A escola tinha entre suas alegorias o carro dos sentidos, com muito neón, que perdeu um pouco do impacto visual com o amanhecer.
2006:No carnaval de 2006, contando a história de exploração na Amazônia, a Grande Rio conquista o seu melhor resultado: o vice-campeonato, pois perdeu dois décimos por exceder o tempo máximo de desfile em 1 minuto (após o empate em número de pontos, a Vila Isabel, venceu por ter melhores notas no quesito de desempate). Com carros alegóricos luxuosos e ricos em detalhes no batido enredo sobre o Amazonas, possivelmente um recordista de passagens pela Sapucaí, a Grande Rio perdeu o título por um minuto. Este foi o tempo que a escola excedeu do máximo que o regulamento permite. A Comissão de Frente e o abre-alas mostravam dois Amazonas diferentes: o eldorado sonhado pelos expedicionários e o que eles de fato encontraram. Os tripés empurrados pelos componentes da comissão eram ocas que, num segundo momento, se transformavam em ouro. Para que a coreografia da comissão fosse completa, a escola tinha que andar devagar, e essa foi a técnica do desfile: o samba cantado em andamento muito lento e os componentes desfilando lentamente. As ocas indígenas se transformarem em templos incas. O Teatro Amazonas foi representado num belo cenário quase todo branco, decorado com flores. Nesta alegoria, borrifadores espirravam um perfume floral, que dominou a passarela. A Zona Franca de Manaus e sua tecnologia de ponta também foi lembrada. No último carro, vieram telas com imagens de linhas de produção. A escola teve sorte e recebeu três notas 10 no quesito Evolução, apesar da correria dos componentes para compensar o atraso.
2007:Em 2007, a escola homenageou a sua cidade, Duque de Caxias, enredo assinado pelo carnavalesco Roberto Szaniecki (que já assinou os carnavais de 1996, 2005 e 2006 da escola). Mais uma vez, a escola conquistou o vice-campeonato. A escola inovou: montou um estúdio na avenida para desenvolver esse trabalho, monitorando o desfile com recursos tecnológicos, com apoio de um laptop e de três câmeras espalhadas pela avenida. A comissão de frente, fantasiada de formigas, retratava a cultura da laranja, uma das principais atividades econômicas de Caxias, representando um grande exemplo de colaboração mútua para o crescimento da cidade. No abre-alas, uma produtiva lavoura da região, que é a maior exportadora de laranjas. O carro da locomotiva estilizada, com aspecto de uma espiga de milho, com diversos produtos cultivados pelo homem, exalava aroma de laranja através de um spray. Para falar da Fábrica Nacional de Motores (FNM) na produção de motores de aviões para fins militares, que implantou suas bases em Xerém, o terceiro carro trouxe a escultura de uma cabeça de operário. Grazi Massafera fez sua estréia como rainha de bateria, comandada por mestre Odilon, que veio de Duque de Caxias. Outro destaque da escola foram as 110 baianas, em referência às festa populares da Baixada Fluminense, como a Folia de Reis e a Festa Junina, representaram um arraial ao trazer balões coloridos de festa junina na roupa. A fé do povo da cidade foi representada no quarto setor, com referências ao catolicismo, candomblé e às religiões evangélicas. Um dos personagens homenageados pela escola foi o político Tenório Cavalcanti, conhecido como Homem da Capa Preta e representado pelo ator José Wilker, que carrega a metralhadora Lurdinha, um justiceiro da região que inspirou o cineasta Sérgio Rezende. Suzana Vieira ficou ausente do desfile por ter se desentendido com o presidente de honra da escola. Para fechar o seu desfile, no oitavo carro, a Grande Rio homenageou Zeca Pagodinho, morador de Xerém, além do diretor de carnaval da escola, Milton Perácio, um dos fundadores da agremiação. O abre-alas da Grande Rio pegou fogo na dispersão.
2008:Já em 2008, a escola de Caxias levou para a avenida a importâcia do gás em nosso dia a dia, homenageando a cidade de Coari, no Amazonas. A Grande Rio pegou o exemplo ecologicamente correto da Refinaria de Urucu, localizada no município amazonense, para falar sobre o gás natural. O início do desfile, que retratou o nascimento da vida no universo, foi marcado por um espetáculo circense de malabarismos. Criativa, a comissão de frente trouxe um tripé em forma de átomo. O carro abre-alas se destacou com a presença de acrobatas, representou a grande explosão, mostrou o início de tudo, recriando a formação dos gases e átomos, que geram novas galáxias. A alegoria, toda em verde, branco e preto, causou bastante impacto. Um carro representou as civilizações que descobriram as primeiras utilizações do gás e outra alegoria simbolizou o Rio de Janeiro, primeira cidade da América Latina a receber gás encanado. Grandes botijões de gás, escultura de onças e uma cobra que soltava gases pelas narinas foram mostrados em alegorias. Um ponto alto do desfile uma típica montadora de automóvel. Ao todo, foram utilizadas 15 carcaças de carros zero quilômetro que, em dois carrosséis, simularam uma linha de montagem em plena avenida. Composta por três partes, a alegoria desacoplou e entrou na Avenida sem um dos cabos que interligava os tripés. Com isso, a escola entrou com nove alegorias, o que não é permitido segundo o regulamento e foi penalizada em 0,1. A bateria do mestre Odilon era composta por 264 ritmistas fantasiados de acendedores de lampiões. A escola fechou o seu desfile com a projeção da cidade de Coari no futuro.
2009:Para o carnaval de 2009, com o enredo “Voila, Caxias! Pra sempre Liberté, egalité, fraternité, merci beaucoup, Brésil! Não tem de quê!”, enredo assinado pelo carnavalesco Cahê Rodrigues a escola contou a história da França com seus costumes. As alegorias representavam bem o enredo, como a do Moulin Rouge, entre outros. Paola Oliveira fez sua estréia como rainha de bateria, comandada por mestre Odilon, e touxe de volta, Wantuir, agora como voz oficial, porém a escola terminou 5º colocação.
Premiações
Títulos
Grupo de Acesso A: 1992
Estandartes de Ouro
Estandarte de Ouro (Enredo): 1994
Estandarte de Ouro (Bateria): 1996, 1999 e 2005
Estandarte de Ouro (Revelação): 1995
Estandarte de Ouro (Passista Masculino): 2001 e 2002
Estandarte de Ouro (Puxador): 1994 e 1999
Estandarte de Ouro (Samba-Enredo Acesso): 1992
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